Primeiro portfólio logo
O ano era 2018, e eu tinha… bem… 18 anos. Apesar de ter aprendido a programar uns 2 ou 3 anos antes, ainda estava só engatinhando no mundo profissional, fazendo alguns freelas e quebrando a cabeça pra aprender novas linguagens, frameworks, técnicas e por aí vai.
Estudar tudo isso era assustador, mas ao mesmo tempo instigante. Eram tantas possibilidades: “o que eu vou escolher?”, eu pensava. Não sabia se deveria aprender a fazer APIs com Python, “ou quem sabe .NET?”, “já sei! Por que não aplicativos mobile?”, “quero aprender Java? Com certeza não!”, “React ou Vue?”… (concatene aqui mais uns milhares de pensamentos aleatórios).
No fim das contas, acabei me apaixonando por Front-end, animações e microinterações. Na real, faz todo sentido, já que venho de uma família com um histórico artístico forte. Questões visuais, estéticas, criativas e interativas sempre me atraíram bem mais do que só ficar escrevendo código.
Bem, eu não estava nada satisfeito.
De vez em quando, uns projetos bem peculiares apareciam: clientes exigentes, indecisos e inconstantes (terror). Também encarei meus primeiros trabalhos fixos como programador, mas o cenário tech da cidade onde eu morava era, digamos, meio entediante. Não me levem a mal, sou grato pelas oportunidades que tive nessa fase, mas estavam longe do que eu realmente queria. A cena basicamente se resumia a empresas muito tradicionais ou muito pequenas, usando metodologias e tecnologias da época da Guerra Fria, frameworks ultrapassados e projetos legados tão confusos que pareciam exigir um pós-doc em decifração de idiomas antigos só pra entender o código.
Eu sonhava com ovelhas elétricas…
Queria a cidade grande, aventura, desafio, aquele desconforto saudável, e, no meio disso tudo, conhecer gente nova, mentores, inspirações, motivações.
Mas antes de sair em busca dessa odisseia, eu precisava criar algo pra chamar de meu, pra dizer: “olha só a bagunça que fiz!!!”.
E foi assim que comecei meu primeiro portfólio.
Não lembro exatamente de todos os detalhes do processo de criar aquilo, mas lembro bem do que eu queria. Meus “requisitos” eram:
E assim foi…
Enquanto escrevo isso, fui dar uma caçada no design do projeto…
Achei!!
Estava no Figma, editado há 7 anos. Curioso, eu jurava que tinha feito no Adobe XD.
https://www.figma.com/design/YnN5juWZCxQ0y6oMgKmARJ5t/portfolio?node-id=0-1&t=hldLenEnTWvT7diH-1
Sim, meu nome de nascimento é Ítalo. Apesar de sempre ter sido chamado de Tim, nessa época eu não tinha muita segurança. Até sentia uma certa vergonha de usar esse nome fora do círculo familiar, já que não era nada comum. Mas, com o tempo, fui aceitando Tim como meu nome definitivo.
Sempre fui fã de trazer uma dose de nostalgia pras minhas criações, e não foi diferente com esse site. Adotei uma estética que lembrava uma era pré-computadores: os componentes da página pareciam diários, com tipografia de máquinas de escrever, fotos de câmeras analógicas e cores creme que remetiam a camadas de papéis antigos.
Sobre o desenvolvimento, vejo que consegui chegar bem perto do design que tinha imaginado, adicionando uma camada de animações que deu vida ao projeto.
Naquela época, apesar de já ter mexido com ferramentas como React, Webpack e WordPress, decidi fazer essa landing page no bom e velho “vanilla”: HTML, CSS e JavaScript. Uns steps de build e processamento de assets entraram com Gulp, principalmente pra compilar o SASS em CSS. (Hoje, olhando em retrospecto, acho que nem isso precisava pra esse projeto, mas foi essencial pra eu aprender a lidar com processamento de arquivos, algo que, aliás, acabei fazendo muito depois).
Revisando o código agora, sete anos depois, acho que ele envelheceu muito bem. Muitos dos meus maneirismos mudaram, especialmente no JavaScript, mas em termos de HTML e CSS ainda é bem parecido com o que faço hoje.
Um fato curioso: só dois projetos foram parar nesse portfólio. O site que fiz pro meu pai (que pretendo contar em outra entrada aqui no novo site) e um experimento de layout chamado Interzone, que criei pra mim mesmo. Pouco tempo depois de montar esse portfólio, consegui meu primeiro “grande” emprego, e ele acabou meio esquecido. Dei umas olhadas rápidas nesses anos todos, mas só agora parei pra analisar com calma…
E quer saber? Me orgulho dele. Mesmo sendo algo simples, dá uma sensação boa lembrar do caminho até aqui. Muita coisa aconteceu.