Nunca sei como dar o primeiro passo, às vezes até fujo dele…
Mas disseram que o importante é começar, não importa como. Então aqui tô eu.
São óbvias minhas dificuldades de praticar isso: o ato de começar, começar do simples, do básico, com o que tiver à mão. Minhas coisas tendem sempre envolver grandes planos mirabolantes, cronológicos e perfeitos… mas não é assim que a vida real funciona. Nem todas as coisas são síncronas e perfeitamente executadas em uma ordem predefinida.
Longas foram as jornadas que me trouxeram até aqui, longas até demais.
Por muito tempo quis ter esse espaço para chamar de meu, para fazer dele o que bem entender, minha dimensão, meu plano, meu jardim.
Inicialmente queria apenas um lugar para registrar aprendizados técnicos, projetos pessoais de programação ou quaisquer outros assuntos relacionados.
Mas a ideia se transformou, evoluiu, decaiu, permaneceu e quase se apagou.
Foram anos de pensamentos e planejamentos, mas nenhuma palavra escrita. Por muito tempo gastei neurônios pensando sobre o que eu deveria escrever aqui ou como esse espaço deveria se parecer. Fazendo com que eu nunca começasse a de fato, escrever. Um exemplo clássico de procrastinação crônica.
Agora aqui tô eu… finalmente (?).
Sempre senti que deveria registrar meus aprendizados como programador, mostrar pro mundo o que eu sei fazer, expandir para além do ambiente de trabalho e também encarar isso como uma forma de manter guardado meu caminho, para mim mesmo.
Deveria então realmente fazer um blog de tecnologia?
Essa era a ideia.
Mas algo mudou no caminho…
Escrever tem se tornado um hábito mais presente na minha vida, vezes ao criar simples versos de uma música/poema, vezes ao desenhar textos introspectivos que me ajudam a domar os fantasmas da ansiedade.
E nesses momentos mais solitários da escrita, tenho aprendido que a técnica por si só é algo vazio. Não mais me atrai a ideia de ter um blog para somente escrever sobre sites, aplicativos, robôs, ensinar a configurar ou programar coisas… (ainda falarei sobre essas coisas, mas não pode ser somente isso).
O técnico é uma parte, mas não a totalidade de quem sou (ou de quem quero ser um dia).
Não sou Tim, “o programador”, nem “desenvolvedor” (ou qualquer outro nome genérico inventado por ai). Só gosto de quebrar a cabeça com códigos pra ver o que sai deles.
Não sou Tim, “o músico”, tampouco “poeta”. Só embaralho palavras e sons, torcendo para que tragam silêncio.
Sou só eu… tento misturar, criar e colar coisas, como uma criança que combina todos seus brinquedos (outrora incompatíveis) em uma única narrativa harmoniosa.
E esse vai ser o espírito deste site
Ele não vai ser exatamente um “blog”, nem será focado em tecnologia, mas sim uma mistura de aprendizados técnicos e humanos, algo que chamam de “digital garden”. Recentemente, ao buscar referências para esse projeto, me deparei com esse conceito de jardins digitais e achei que era algo interessante e alinhado com o que busco.
Uma dessas referências foi esse post no maravilhoso jardim digital da Rach Smith, que me levou até outras referências sobre o assunto.
Basicamente, em um jardim digital tratamos cada publicação como algo vivo, como uma planta que podemos ou não regar. As publicações não precisam ser perfeitamente construídas, com início, meio e fim, elas só são… algo.
Nada impede de eu começar um post hoje sobre um experimento novo, e atualizá-lo daqui meses quando esse experimento se desdobrar (ou simplesmente deixá-lo morrer. só de ter registrado o começo já é algo positivo).
Quero também escrever artigos bem estruturados, mas eles não são a regra, nem essenciais para que eu escreva algo. Simples pensamentos, constatações, filosofias baratas podem se tornar um registro, sem uma finalidade bem definida. quem sabe assim, evitando o trágico fim descrito por Roy Batty em seu monólogo:
Eu vi coisas que vocês não imaginariam. Naves de ataque em chamas ao largo de Órion. Eu vi raios-c brilharem na escuridão próximos ao Portal de Tannhäuser. Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva.
Hora de morrer.
Acredito que essa forma de enxergar as postagens devem me ajudar a escrever mais livremente, uma vez que o perfeccionismo que me aflige ao trabalhar em algo, deverá ser dissipado.
E a consistência? O foco? O público? Vai misturar tudo mesmo? A resposta é simples: Foda-se!
Não estou aqui para ganhar dinheiro. A última coisa que quero com esse projeto é trazer cobranças mercado(lógicas) para minha mente, tentar ser eficiente, performático, consistente.
Acredito que essas cobranças têm se tornado muito mais presentes em nossa vida, não somente no meio profissional, mas em nossa forma de criar e consumir conteúdo também (mostre em poucos segundos ou perca o interesse do público).
E isso tem refletido em mim de várias formas negativas. Doomscrolling, Reels/Tiktok, impaciência para vídeos grandes, áudios em 2x, respostas prontas no chat gpt e checagens constantes no celular (as vezes até para fugir de interações sociais quando não sei exatamente o que falar).
Aqui eu quero desacelerar, aprender devagar, degustar, escrever (em português, inglês), buscar a paz que tenho encontrado com meus instrumentos, aparelhos analógicos, discos, fitas, canetas, cadernos e livros físicos.
Um programador fugindo de tecnologia.
Contraditório?
Tudo bem.